sábado, 5 de março de 2011

OX - FREE

Tratamento de choque

Tratamento de choque

O Ox-Free promete reduzir a ferrugem da carroceria com uma corrente elétrica. No nosso teste, ficou só na promessa

Por Jonas Oliveira | Fotos: Ivan Shupikov

A idéia é boa: reduzir a oxidação da carroceria. O Ox-Free, aparelho desenvolvido há oito anos pelo engenheiro Ary Corte Jr., seria uma salvação para quem mora no litoral. Vendido a 180 reais, ele não promete acabar em definitivo com a ferrugem, mas garante reduzir o tempo de oxidação.
O Ox-Free é um aparelhinho que transmite uma corrente elétrica constante à carroceria, o que retardaria o processo de oxidação do metal. Ligado na bateria, outros dois fios são conectados a dois parafusos da carroceria o mais distantes possível - um na frente e um na traseira. O efeito da corrente seria uma oxidação mais ordenada e homogênea, o que resultaria em menor taxa de corrosão.
O primeiro passo foi definir a metodologia de ensaio, junto com o laboratório Falcão Bauer, que também realiza testes para montadoras e fornecedores de peças. Os testes foram acompanhados por nossa equipe e pelo fabricante. O ideal seria experimentarmos o produto em carros, mas o teste seria impraticável. "Nesse caso, teríamos que ter dois veículos rodando milhares de quilômetros um ao lado do outro, em condições rigorosamente idênticas", diz Carlos Monteiro, engenheiro do laboratório.
Utilizamos duas chapas de aço idênticas, retiradas de uma mesma peça de automóvel, metade revestidas com tinta original e metade lixadas. Ambas foram expostas a 96 horas em uma câmara de névoa salina, que borrifa uma solução de 5% de cloreto de sódio (sal). "É a metodologia padrão para testes de corrosão", diz Monteiro. Uma das chapas permaneceu todo o tempo conectada a um exemplar do produto, fornecido pelo fabricante.
Após as 96 horas, o resultado não foi animador. A taxa de corrosão da chapa ligada ao aparelho foi até um pouco maior: 118,3 g/m2, contra 114,1 g/m2. Quanto maior o número, mais ferrugem surgiu sobre o metal. Mesmo tendo concordado com a metodologia, Ary Corte Jr. ponderou que o tempo de exposição poderia ter sido insuficiente. "No início, o produto acelera a corrosão, mas depois forma uma camada que passa a impedi-la", disse o engenheiro, que nos reivindicou mais 96 horas - tempo em que, segundo ele, o quadro deveria ser revertido.
Decidimos então fazer mais uma sessão. Mas o resultado não ajudou: a taxa de corrosão da chapa com o Ox-free aumentou para 128,1 g/m2, enquanto a da sem o produto baixou para 83,4 g/m2. De fato, Ary apresentou laudos de ensaios feitos em laboratórios independentes, como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP e a Universidade Federal de São Carlos, que apontam redução de 25% a 65% na oxidação após 500 horas de testes. Mas o próprio Ary não soube explicar o insucesso e reconhece que, em 192 horas, o produto já deveria ter causado algum efeito.
Cumpre o que promete?
Não
Nos testes realizados em laboratório, a chapa conectada ao Ox-free não mostrou redução no processo de corrosão.
Onde encontrar
www.oxfree.com.br
(19) 3445-6690

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